11872101 10206618408755872 4767278493963540480 o

Imagem: Ecopção Lda

Joana Magalhães foi uma das figuras em destaque no Campeonato Nacional de Show e Precisão 2016, liderando as equipas técnicas de dois clubes, que ainda por cima arrecadaram vários títulos e posições no pódio. A Plurisports foi falar com esta treinadora que marca a sua posição no panorama nacional nas disciplinas de Show, Precisão e Solo Dance, fazendo até uma retrospetiva da sua carreira, objetivos futuros e a sua visão da modalidade.
 
Plurisports: Como vê a participação dos seus clubes no Campeonato Nacional de Show e Precisão?
Joana Magalhães: Tanto a Academia de Patinagem do Marco, como o Grupo Nun` Álvares têm uma grande tradição nas disciplinas de show e precisão, havendo por isso um grande investimento de ambos nesta competição, quer em horas de treino quer em apoio aos atletas que integram essas equipas. Desta forma só posso estar imensamente feliz com a participação de todas as equipas. Trabalhámos muito para preparar o nacional de forma a apresentarmos equipas coesas, competentes e capazes de marcar a diferença e penso que conseguimos. Presenteámos o público com bons temas e cativámos a atenção de todos com as interpretações e esquemas. Faço por isso um balanço bastante positivo, não só pelas classificações, mas também pelo feedback recebido por todos.
 
P: Deve ter sido a treinadora com mais presenças em pódios neste campeonato.
JM: De certa forma é verdade e obviamente que estou muito orgulhosa. Há muitas horas de mim, não só no pavilhão a dar treino, mas em casa a estudar temas, formas de passar a mensagem, fatos vistosos e adequados, músicas certas, escolha das equipas.... Enfim todo um processo criativo que demora e dá muito trabalho, mas que sai compensado no momento em que vejo os meus altetas subir ao pódio.
 
P: E agora como será a preparação para o Campeonato da Europa dentro de um mês?
JM: Há muita responsabilidade nas equipas apuradas para o Campeonato da Europa. Não basta ser apurado, é preciso encarar a passagem com um espírito de responsabilidade acrescido, afinal de contas vamos representar o nosso país. Desta forma todo o trabalho neste mês será muito sério por forma a não desiludirmos quem confiou em nós.
 
P: E que objetivos tem para este Europeu, que ainda por cima será em Portugal?
JM: Todos sabemos que a concorrência será muito forte e é preciso ser realista. Para ser sincera, se o quarteto "Olympos" tivesse sido campeão nacional sabia que iria patinar no último lote de quartetos em prova e aí assumiria o desejo de trazer um título para Portugal, assim fica mais difícil, mas vamos lutar pelo menos pelo Top 5. Em juvenis quero manter o Top 10, bem como em pequenos grupos. Já na precisão top 5 seria um bom resultado.
 
P: Liderou a única presença na categoria de Precisão nos nacionais. Porque acha que não apostam mais nesta categoria, e também, em Show?
JM: Construir uma coreografia de precisão não é tarefa fácil, ainda mais com tantas alterações ao regulamento. Um outro factor que penso justificar a pouca participação em precisão passa pela dificuldade em obter pódios internacionais, uma vez que há uma grande tradição da precisão alemã e italiana.
 
P: Trabalha com dois clubes de associações diferentes. Uma que lidera os rankings nacionais e outra com um percurso ainda longo por fazer. Como lida com estas diferenças e como analisa estas abruptas diferenças entre associações em Portugal?
JM: A associação do porto é uma "velha senhora" no mundo da patinagem, e naturalmente reúne os melhores atletas nacionais. Exemplo disso é o elevado grau de competitividade e qualidade que existe nos nossos distritais, sendo ingrato que apenas passem 7 atletas aos campeonatos nacionais. Contudo a APMinho está a crescer, está de saúde e recomenda-se. Acredito que a médio prazo terá resultados nacionais em disciplinas que não o show.
 
P: E depois do show e da precisão, é altura de pensar no Solo Dance?
JM: O solo dance é trabalhado ao longo de toda a época, esta é a única forma de ter bons resultados. Obviamente que nas últimas semanas a aposta foi no show, mas tento, por norma, manter um trabalho contínuo que será intensificado assim que passar o Campeonato da Europa.
 
P: Já esteve presente em provas europeias nesta disciplina, mas ultimamente e outra vez com o domínio de certas instituições, tem estado mais afastada. Deseja voltar a levar atletas a provas internacionais, com certeza. Acha que a disciplina evoluiu tanto em Portugal que se torna mais difícil?
JM: É verdade que já tive alguns atletas internacionais na disciplina de solo dance e com resultados, relembro que Joana Duarte, foi vice-campeã na Taça da Europa de iniciados, e pluri-campeã nacional, relembro também Mariana Barreira que também integrou a selecção nacional, ou mesmo Mariana Pereira, Bernardo Pereira e Maria Inês Queirós que foram chamados para visionamentos e estágios. Criar um atleta internacional é complexo mas mais ainda é gerir a sua carreira. É preciso muita dedicação, estudo continuado e muitas, muitas horas de treino. Nos anos de 2007 a 2013 dediquei-me 200% a estes atletas, mas a era de ouro acabou por desaparecer com lesões e opções dos atletas em apostar noutras vertentes, como os estudos. Aliado a estas condicionantes o boom chamado Rolar Matosinhos não ajudou, e torna-se cada vez mais difícil lançar novos atletas que possam vir a integrar a selecção nacional. Continuo a trabalhar e tenciono a curto prazo voltar a ser treinadora de atletas internacionais. Trabalho para isso todos os dias, mas lamento que tanto no Marco como em Fafe não tenha treinos todos os dias de forma a poder realizar um trabalho específico. A disciplina de solo dance está muito forte e não basta ser bom para ficar no top 7 e assegurar o apuramento nacional. Mas não desisto e tenciono apresentar novas atletas infantis que acredito serem capazes de fazerem um bom percurso.
 
P: Que desafios coloca a si como treinadora? O que deseja ainda conquistar?
JM: Assumi no início  desta época a coordenação do Fafe com mais de 100 atletas a integrar as várias camadas. Coloquei como objectivo, a mim e à minha equipa, manter a quantidade mas trabalhar a qualidade e formar uma boa equipa de iniciação para ganhar títulos para Fafe a médio prazo. Penso que estamos no bom caminho, lamento apenas não ter as horas de treino dos clubes vizinhos de forma a lutar de igual para igual. Outro desafio que coloco a mim mesma é lançar atletas internacionais nos próximos 5 anos e manter os bons resultados nas disciplinas de show e precisão.
 
P: Estamos no mês da mulher e recentemente foi mãe, como vê a vida de uma mulher mãe treinadora, com todos os desafios que destes papéis advém?
JM: Ser mãe foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. O Martim é o meu maior desafio. Não é fácil chegar a casa depois das 21.00 e passar os fins de semana longe dele, mas estou certa de que terá orgulho na mãe dele. Não vejo a hora de sair de casa para os treinos com ele. Por outro lado, este campeonato teve outro sabor com o meu filho a assistir nas bancadas.
 
Sponsored by: 
workshops para rodapé Noticias AutoManicura